Perturbação de acumulação
Existem pessoas com uma dificuldade acentuada em se desfazer de determinados objetos ou pertences que acumulam, independentemente do seu valor real, tendo sofrimento associado quando há uma tentativa de descartar algum item. Muitas vezes, atingem um ponto em que zonas de passagem e de estar na habitação se encontram obstruídas, e assim impedidas de utilizar, e em que a saúde, a segurança e a qualidade de vida ficam comprometidas. Por exemplo, pode não existir espaço para sentar-se no sofá, dormir na cama ou preparar uma refeição na cozinha. Esta condição designa-se por perturbação de acumulação.
Esta perturbação distingue-se de ser colecionador, pois estes possuem uma organização e especificidade nas suas coleções e isso não interfere de forma significativa no seu funcionamento pessoal e/ou profissional.
Os principais motivos que estão na origem da acumulação excessiva prendem-se com a utilidade percebida dos objetos, o seu valor estético ou a preocupação em perder informações importantes. É mais frequente em pessoas mais velhas e que pessoas que apresentam características como indecisão, perfeccionismo, procrastinação, dificuldade em fazer planos e organizar tarefas.
Uma das dificuldades na intervenção é o facto de frequentemente não existir noção da interferência e do impacto da acumulação e isso ser percetível apenas por pessoas externas (como familiares ou amigos). Para além disto, as pessoas podem sentir vergonha da sua situação e assim evitar procurar ajuda profissional. O tratamento psicoterapêutico para a perturbação de acumulação tem como objetivos motivar para a mudança, modificar as crenças relativamente aos objetos e à acumulação, promover a tomada de decisão e competências de resolução de problemas.
Bibliografia: American Psychiatric Association. (2014). DSM-V: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (5.ª ed.). Lisboa: Climepsi.
https://www.oficinadepsicologia.com/perturbacao-de-acumulacao/
Perturbação da Personalidade Histriónica
A principal característica da perturbação da personalidade histriónica é a emocionalidade excessiva e a constante procura de atenção. Normalmente, pessoas com esta perturbação são descritas como exageradas, autocentradas, impulsivas, facilmente influenciáveis e sedutoras. A sua interação com os outros é marcada por constantes interrupções ou redireccionamento do foco para si próprio, podendo sentir raiva, inveja ou sentimentos depressivos quando isso não acontece. Esta forma de expressão é visível também, por exemplo, na forma de vestir, no corte de cabelo ou na maquilhagem.
Esta perturbação é mais frequente nas mulheres e tem uma prevalência de cerca de 2% na população geral. Surge no início da vida adulta e leva ao desenvolvimento de traços inflexíveis e rígidos da personalidade, que causam sofrimento e impactam o dia-a-dia. É diagnosticada quando estão presentes pelo menos 5 dos seguintes critérios:
- Desconforto em situações em que não é o centro das atenções;
- Interação social caracterizada por comportamento sexualmente sedutor inadequado ou provocativo;
- Exibir mudanças rápidas e expressão superficial das emoções;
- Utilizar a aparência física para atrair a atenção para si;
- Ter um estilo de discurso pouco detalhado e demasiado impressionista;
- Ser dramático, teatral e exagerado na expressão das emoções;
- Ser facilmente influenciado pelos outros ou pelas circunstâncias;
- Considerar as relações pessoais mais íntimas do que na realidade são.
A psicoterapia pretende modificar os antigos padrões de interação, ajudando a desenvolver uma identidade pessoal, que vá além das relações sociais estabelecidas, e promover o desenvolvimento da autoestima. São ainda utilizadas estratégias para desenvolver competências como assertividade, escuta ativa e estabelecimento de objetivos.
Bibliografia: American Psychiatric Association. (2014). DSM-V: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (5.ª ed.). Lisboa: Climepsi.
Millon, T., Millon, C. M., Meagher, S. E., Grossman, S. D., & Ramnath, R. (2012). Personality disorders in modern life. John Wiley & Sons.
Perturbação de Personalidade Dependente
Preocupação central: Manter/perder a relação.
Afetos centrais: Prazer quando vinculado(a) de forma segura; tristeza e medo quando sozinho(a).
A personalidade dependente caracteriza-se por uma forte necessidade em se sentir cuidado, protegido e próximo dos outros. Tem uma grande dificuldade em sentir-se autónomo, só e vulnerável. Quando se sente desta forma, surge um caos interior e uma enorme angústia. Torna-se difícil levar a sua vida para a frente e cuidar de si próprio(a) sozinho(a). Por isso, rapidamente tende a procurar alguém que o possa apoiar e proteger. Não consegue viver na solidão, como se as coisas não fizessem sentido sem alguém que possa cuidar de si, garantir-lhe segurança. Assim nasce o desejo e a procura constante de um companheiro(a) que saiba lidar melhor com a vida e que o(a) possa proteger. Quando esta pessoa surge, ela é tão importante para si que não se importa de abdicar dos seus sonhos, desejos e necessidades para que ela goste de si e fique por perto. Esta pessoa é, geralmente, idealizada, reveste-se de uma enorme importância e praticamente não tem defeitos - é a pessoa ideal.
Cria laços fortes com as pessoas de quem é próximo(a). Se por um lado pensa que seria saudável ser mais independente, ao mesmo tempo pode recear que quanto mais autónomo(a) se tornar, maior seja a probabilidade de ser abandonado. Envolve-se muitas vezes em relações que lhe trazem sofrimento, tenta agradar ao outro e esquece-se de si, pode até ser incongruente com os seus próprios valores.
Quando uma destas relações termina, é como se a sua vida deixasse de ter sentido, ou já não existissem mais motivos para viver sem a presença do outro, apesar do desgosto ao fim de algum tempo tende a procurar uma nova relação, passa por períodos de grande instabilidade relacional. Tem uma grande dificuldade em tomar decisões por si só, procurando constantemente segundas opiniões e conselhos das pessoas que o rodeiam. Geralmente tem uma baixa autoestima, acha que os outros são melhores que ele/a.
Uma necessidade invasiva e excessiva de ser cuidado, que leva a um comportamento submisso e aderente e a temores de separação, que começa no início da idade adulta e está presente numa variedade de contextos, indicado por pelo menos cinco dos seguintes critérios:
- Dificuldade em tomar decisões sem um excessivo aconselhamento e tranquilização pelos outros;
- Necessidade de transferir as responsabilidades para os outros na maior parte das áreas importantes da sua vida;
- Dificuldade em discordar dos outros por medo de perder suporte ou aprovação;
- Dificuldade em iniciar projectos ou fazer coisas por sua conta (pela ausência de confiança nas suas capacidades, em vez de ausências de motivação ou energia);
- Entrega-se a excessos para obter cuidados e apoios dos outros, ao ponto de se oferecer como voluntário para tarefas desagradáveis;
- Sentimentos de desconforto e desamparo quando sozinho, por medo exagerado de ser incapazes de cuidar de si próprio;
- Procura urgente de outras relações, em substituição de alguma relação íntima terminada;
- Preocupações irreais com o medo de ficar entregue a si próprio.
A origem destes traços de personalidade tende a situar-se nas relações precoces que a criança estabelece com o mundo desde pequena. Sendo muito provável que em criança tenha desenvolvido a crença de que não conseguiria sobreviver sem a proteção dos outros e procura constantemente ajuda dos outros. Apesar de ser diagnosticado com maior frequência em mulheres, as diferenças entre género não são significativas. A sua prevalência entre homens e mulheres é semelhante.
Bibliografia: American Psychiatric
Association. (2014). DSM-V: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (5.ª ed.). Lisboa: Climepsi.
Millon, Theodore (2004), "Personality Disorders in Modern Life", 2ed, John Wiley & Sons.
Perturbação de Personalidade Narcísica
A prevalência desta perturbação é inferior a 1% na população em
geral, mas chega aos 16% dentro dos doentes psiquiátricos. Alguns estudos indicam que é mais frequente entre pessoas de educação
superior ou em grupos profissionais de destaque social. Sendo mais prevalente no
sexo masculino (50 a 75%) do que no sexo feminino. Isto
poderá ser explicado de uma forma evolutiva, uma vez que o sexo masculino tende a ser orientado para o "self", pois a competição
pelos recursos reprodutivos maximiza as vantagens de transmissão dos seus genes
(agir de modo egocêntrico e insensível). Por sua vez o sexo feminino é orientado
para o objecto (amor, altruísmo, intimidade, confiança e cooperação), as
suas competências na prestação de cuidados e protecção da sua descendência.
O termo narcisismo tem as suas origens no clássico mito
grego de Narciso, um jovem belo, confinado pelos deuses a nunca se conhecer a
si mesmo e condenado a um amor impossível de consumar. Despertava o amor das
jovens gregas e das ninfas, mas era arrogante e desprezava-as, tratando-as com
indiferença. Certo dia, Narciso aproximou-se de um lago e apaixonou-se pela sua
própria imagem ao vê-la reflectida na água, lançou-se ao lago para se unir
aquele por quem se apaixonara - ele próprio. Daqui surge o termo de personalidade narcísica.
Apresenta os seguintes critérios de diagnóstico:
Um padrão invasivo de grandiosidade (em fantasia ou comportamento), necessidade de admiração e falta de empatia, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, indicado por pelo menos cinco dos seguintes critérios:
- Sentimento grandioso da própria importância (exagera realizações e talentos, espera ser reconhecido como superior sem realizações comensuráveis);
- Preocupação com fantasias de ilimitado sucesso, poder, inteligência, beleza ou amor ideal;
- Crença de ser "especial" e único e de que somente pode
ser compreendido ou deve associar-se a outras pessoas (ou instituições)
especiais ou de condição elevada;
- Exigência de admiração excessiva;
- Sentimento de intitulação, ou seja, possui expectativas irracionais de receber um tratamento especialmente favorável ou obediência automática às suas expectativas;
- É explorador em relacionamentos interpessoais, isto é, tira vantagem de outros para atingir seus próprios objetivos;
- Ausência de empatia: relutante em reconhecer ou identificar-se com os sentimentos e necessidades alheias;
- Frequentemente sente inveja de outras pessoas ou acredita ser alvo da inveja alheia;
- Comportamentos e atitudes arrogantes e insolentes.
Estes traços de personalidade, geralmente, são consequências das relações estabelecidas na infância. Por exemplo: ter sido privado(a) de algo que era um direito seu - receber afecto, carinho e valorização. Provavelmente era solitário(a), podendo ter crescido com adultos que lhe davam muita atenção mas não lhe demonstravam tanto afecto, não estabeleciam limites e pareciam, de alguma forma, manipulá-lo(a), só aprovavam o seu comportamento sob determinadas condições e apesar de lhe dizerem que era especial, também o(a) desvalorizavam em muitas outras situações. Isso poderá ter contribuído para a forma como se começou a percepcionar a si próprio e a percepcionar o mundo e os outros.
A experiência interna subjetiva das pessoas narcísicas é o sentimento de vazio e ausência de sentido, que requer infusões frequentes de confirmação externa da importância e do valor delas próprias enquanto pessoas. Quando conseguem este objetivo, através de estatuto, admiração, riqueza e sucesso, sentem como que uma elevação interna, comportando-se frequentemente de forma grandiosa e tratando os outros (especialmente aqueles percebidos como pertencendo a um estatuto inferior) com desprezo. Quando o ambiente não consegue corresponder a estas necessidades de validação, a pessoa narcísica sente-se tipicamente deprimida, envergonhada e invejosa daqueles que conseguiram os recursos que a elas lhes falta. São pessoas que sofrem de uma grande dificuldade em sentir prazer no trabalho e na vida amorosa.
Bibliografia: American Psychiatric
Association. (2014). DSM-V: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (5.ª ed.). Lisboa: Climepsi.
Millon, Theodore (2004), "Personality Disorders in Modern Life", 2ed, John Wiley & Sons.
Perturbação de Personalidade Paranóide
A perturbação de personalidade paranóide pode ser considerada das mais graves perturbações de personalidade. Algumas pessoas podem apresentar um alto nível de funcionamento social, contudo raramente procuram ajuda, pois tem dificuldades em confiar.
Esta perturbação poderá dar os primeiros sinais durante a infância/adolescência, deve-se ter especial atenção: comportamentos de solidão e maus relacionamentos com os colegas, ansiedade social, baixo rendimento escolar, hipersensibilidade, pensamentos e linguagem peculiares. É mais frequente nos homens do que nas mulheres.
Estão sempre vigilantes, acreditam que os outros estão constantemente a tentar rebaixar, prejudicar ou ameaçá-los. Estas ideias geralmente infundadas, bem como os hábitos de culpa e desconfiança, interferem na sua capacidade de formar relacionamentos. Assim as pessoas com esta perturbação:
- Tem duvidas sobre o compromisso, lealdade dos outro, acreditam que os outros estão a usa-las ou engana-las;
- São relutantes em confiar nos outros ou partilhar informações pessoais, tem receio que as informações possam vir a ser usadas contra elas;
- São implacáveis e guardam rancores;
- São hipersensíveis e recebem mal as críticas;
- Vêem significados ocultos nas observações inocentes;
- Acham que estão a ser sempre atacadas e reagem com raiva, são rápidas a retaliar;
- Tem suspeitas recorrentes, sem razão, que os seus cônjuges são infiéis;
- São geralmente frias e distantes nas relações com os outros, tornam-se controladoras e ciumentas;
- Acreditam que têm sempre razão;
- Tem dificuldade em relaxar;
- São hostis, teimosas, e argumentativas
Deste modo, pessoas com esta perturbação, tem a necessidade de ser auto-suficientes e independentes, bem como de exercer controlo sobre o ambiente. Retratam-se como sensíveis, ciumentas, ofendem-se e irritam-se com facilidade, levam a sério tudo o que acontece e que é dito ou feito.
A psicoterapia individual é a melhor forma de se criar um espaço para que a pessoa se sinta segura, compreendida e ajudada na procura de um maior alívio para as suas dificuldades. Assim, adquire maior grau de liberdade e bem-estar na sua vida ao mesmo tempo que aprende a gerir, reduzir ou estabilizar as suas vulnerabilidades e fragilidades.
Bibliografia: American Psychiatric Association. (2014). DSM-V: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (5.ª ed.). Lisboa: Climepsi.
https://encontreumasaida.pt/
https://medlineplus.gov/ency/article/000938.htm
https://www.webmd.com/mental-health/default.htm
Doenças Psicossomáticas
Quando a boca cala... O corpo fala!
As doenças
psicossomáticas são determinadas, agravadas ou desencadeadas
por razões emocionais. Diante de um problema, as pessoas experimentam sentimentos de angústia, preocupação, medo, e
tensão.
As alterações clínicas são detectáveis por exames, o corpo da pessoa apresenta danos físicos. É uma doença orgânica, mas com causa psicológica. Em situações de forte stress emocional o corpo reage informando que algo não está bem.
Os principais sintomas manifestados pelo corpo, devido a doenças psicossomáticas são:
- Batimentos cardíacos acelerados;
- Tremores;
- Respiração rápida;
- Suor frio ou excessivo;
- Boca seca;
- Enjoos;
- Dor no estômago;
- Sensação de nó e dor no peito;
- Dor nas costas e na cabeça;
- Manchas vermelhas ou roxas na pele.
Em alguns casos, os sintomas são
tão intensos que podem simular doenças graves, como enfartes, AVC´s ou convulsões,
por exemplo, e necessitam de um tratamento rápido e adequando.
Qualquer pessoa pode desenvolver uma
doença psicossomática, deve estar atento ao aparecimento destes sinais, principalmente pessoas que:
- Têm muito stress e cobranças no trabalho;
- Passaram por traumas ou acontecimentos marcantes;
- Não conversam sobre seus sentimentos e guardam-os para si;
- Sofrem muita pressão psicológica ou bullying;
- Pessoas depressivas ou ansiosas que não procuram tratamento.
Quando suspeita que algum sintoma possa ser psicossomático deve ir ao medico, realizar exames que coloquem de parte as outras doenças, deve também procurar um psicólogo e um psiquiatra.
Depressão
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a depressão é um dos principais problemas de saúde no mundo desenvolvido e ocupará em 2020 a segunda causa de morbilidade em todo o mundo.
Na depressão pode sentir-se triste, desesperado, inútil e sem valor, desmotivado e até exausto. Estes sentimentos influenciam a autoestima, o sono, o apetite e o desejo sexual, afetando a vida diária e por vezes a saúde física.
Atualmente, entre os 15 e os 44 anos é a segunda causa de morbidade, é mais comum no sexo feminino (1 em cada 4), do que no masculino (1 em cada 10). Esta maior prevalência no sexo feminino, pode ser explicada por questões genéticas e biológicas (variações de humor que ocorrem durante o ciclo menstrual). As crianças também podem ser afetadas.
É uma perturbação em que são experienciadas emoções de angústia, tristeza, frustração, resultantes de experiências traumáticas vividas no passado. Por
vezes, as pessoas não se conseguem libertar dessas experiências que colidem com
os valores e crenças de cada um, criando conflitos emocionais.
Sintomas:
- Humor depressivo durante a maior parte do dia, quase todos os dias;
- Diminuição de interesse ou prazer em quase todas as actividades;
- Perda de peso (sem dieta) ou aumento de peso significativo;
- Diminuição ou aumento do apetite quase todos os dias;
- Pertubações do sono;
- Inibição/lentidão de movimentos;
- Agitação;
- Náuseas, alterações gastro-intestinais;
- Fadiga ou perda de energia quase todos os dias;
- Sentimentos de desvalorização ou culpa excessiva quase todos os dias;
- Pensamentos recorrentes acerca da morte, ideias de suicídio ou tentativas de suicídio;
- Manifestação de sintomas físicos (dores musculares, dores abdominais).
- Existência de uma tendência hereditária para alguns tipos de depressão.
- Os acontecimentos traumáticos da vida contribuem também para o aparecimento da depressão, podendo funcionar como desencadeantes ou facilitadores de episódios depressivos.
- O tipo de personalidade e a forma como cada indivíduo lida com os problemas também se associa a uma maior ou menor predisposição para a depressão.
Experiências como traumas, violência infantil, bullying,
divórcios, lutos, maus tratos diversos, podem ser vividos com uma intensidade tal que
se torna difícil ultrapassar a dor que elas trazem, ou seja, a força
emocional das experiências que viveram no seu passado.
A depressão tem duas formas, uma leve e outra mais grave. Na forma leve a depressão significa que se sente mais em baixo, mas não se sente impedido de continuar com a sua vida. No entanto as tarefas são sentidas como mais difíceis de realizar, fazendo com que se sinta inútil. Na forma grave, a depressão ameaça a integridade física e encontra-se associada a um sentimento de querer desistir de viver (suicídio).
Existem duas formas de actuar que registam boas taxas de sucesso: a farmacológica (antidepressivos) e a psicoterapia.
Bibliografia: American Psychiatric Association. (2014). DSM-V: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (5.ª ed.). Lisboa: Climepsi.
https://encontreumasaida.pt/
https://www.adeb.pt/
Fobias
As fobias são caracterizadas por um medo persistente, excessivo, intenso e não razoável, desencadeado pela presença ou antecipação do confronto com um objecto ou situação especifica, como por exemplo apanhar um avião, alturas, animais, ver sangue. A exposição a estes estímulos provoca de forma sistemática, uma reacção ansiosa imediata que pode tomar a forma de um ataque de pânico ligado à ou facilitado pela situação.
As pessoas que vivenciam fobias sabem que não há razão para tanto medo, mas mesmo assim não conseguem evitar, fazendo os possíveis para fugir à situação ou objeto causador de medo. Nas crianças, os sinais desta ansiedade fóbica podem ser choros, acessos de cólera, reações de rigidez ou de se agarrar.
As fobias especificas são a perturbação psíquica mais comum, são mais prevalentes no sexo feminino, com taxas de 15,7% em mulheres, e 6,7% em homens, ao longo da vida.
As Fobias mais frequentes são:
- Acrofobia - medo extremo de alturas;
- Agorafobia - medo de estar em espaços abertos cheios de pessoas;
- Aicmofobia - medo de agulhas/seringas;
- Aracnofobia - medo de aranhas;
- Cinofobia - medo de cães;
- Claustrofobia - medo de lugares apertados (como elevadores);
- Coulrofobia - medo de palhaços;
- Insectofobia - medo de insetos;
- Nictofobia - medo do escuro;
- Odontofobia - medo do dentista;
- Ofidiofobia - medo de cobras.
Existem cinco grupos principais de fobias específicas:
- Animais (aranhas, insetos, cães
- Ambiente (alturas, tempestades, água)
- Sangue-injeções-feridas (agulhas, cirurgias, feridas)
- Situacional (elevadores, aviões, espaços fechados)
- Outras (por exemplo situações que possam provocar asfixia ou vómito).
Perante a exposição ou através de um pensamento sobre o estímulo fóbico, é frequente existir: medo intenso, sintomas de ansiedade, incapacidade para se manter na presença do estimulo agressor, aversão ou repulsa, bem como a necessidade irracional de fuga.
As fobias são comuns e pode sentir que não são muito perturbadoras para a sua vida, no entanto, se faz tudo para evitar a situação ou objeto que causa medo, pode ser importante procurar alivio junto de um profissional, pois existem intervenções capazes de o ajudar a lidar com a fobia.
Bibliografia: American Psychiatric Association. (2014). DSM-V: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (5.ª ed.). Lisboa: Climepsi.
Graziani, P. (2005). Ansiedade e perturbações da ansiedade. Lisboa: Climepsi Editores.
www.encontreumasaida.pt
Epilepsia
A epilepsia é uma doença do sistema nervoso, manifesta-se através de crises epilépticas, que são descargas anormais e excessivas das células cerebrais.
É uma das patologias neurológicas crónicas mais frequentes, o seu pico de manifestação é nos primeiros anos de vida e na terceira idade. Cerca de 1% da população mundial sofre de epilepsia e tem múltiplas formas de apresentação, de repercussões físicas e cognitivas.
Os ataques epilépticos caracterizam-se, pela apresentação de fenómenos súbitos e transitórios, podem assumir a forma de:
- Alteração da consciência;
- Movimentos musculares involuntários;
- Movimentos automáticos;
- Alterações da sensibilidade e ao nível dos restantes sentidos.
- Crise epilética generalizada: envolve todo o cérebro e provoca perturbação do estado de consciência.
- Crise epilética parcial: afeta apenas uma parte do cérebro e há, normalmente consciência.
- O stress;
- A privação de sono;
- A suspensão abrupta dos medicamentos;
- Febre e infeções;
- Hipoglicemias;
- Toma de determinados medicamentos (alguns antidepressivos e anestésicos, entre outros).
- Manter a calma;
- Retirar os objetos à volta para que pessoa não se possa magoar;
- Colocar uma proteção por baixo da cabeça da pessoa (um casaco, por exemplo);
- Nunca tentar segurá-la (podem luxar uma articulação, por exemplo);
- Não insira nada na boca da pessoa (podem partir um dente ou ser mordidos);
- Não tente puxar a língua pelo risco de lesão grave dos seus próprios dedos;
- Se a pessoa ceder, tentar colocá-la na posição lateral de segurança;
- Permaneca com a pessoa até que ela recupere os sentidos;
- Cronometrar a duração da crise e se esta for além dos cinco minutos, ligar para o 112.
No tratamento da epilespia recorre-se fármacos antiepiléticos, com o objetivo de tentar eliminar a ocorrência das crises com o mínimo de efeitos secundários. Também é importante frequentar grupos de apoio, um vez que estes permitem compartilhar ideias, expressar sentimentos e trocar experiências com outras pessoas que vivem situações similares. Pacientes com epilepsia apresentam isolamento social, dificuldades nos relacionamentos sociais, no trabalho, na escola, no lazer e até nas atividades de vida diária.
A epilepsia é uma condição que afeta o bem-estar biopsicossocial, ou seja, afeta a vida do paciente como um todo.
Bibliografia: American Psychiatric Association. (2014). DSM-V: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (5.ª ed.). Lisboa: Climepsi.
Simon D. Shorvon. Classificação etiológica da epilepsia. Epilepsia, 52(6):1052-1057, 2011. UCL Institute of Neurology, University College London, Queen Square, London, United Kingdom. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1528-1167.2011.03041.x/pdf
https://www.epilepsia.pt/
Ataques de Pânico
O Ataque de Pânico é uma
das perturbações emocionais mais limitantes que uma pessoa pode sentir, devido à intensidade dos seus sintomas ou à falta de compreensão da origem
do problema. É uma resposta
exagerada do nosso corpo ao medo ou ao stress, em que de repente se é invadido
por um conjunto de sensações intensas (como batimento rápido do coração,
suores, náuseas, dores no peito, sensação de desmaio, dificuldade em respirar
ou sentimento de perder o controlo). Nesses momentos é comum surgirem
pensamentos como: "Estou a enlouquecer!"; "Vou ter um ataque
cardíaco"; ou ainda "Vou morrer!".
Mais de um terço dos adultos manifesta sinais de ataques de pânico todos os anos, As mulheres são entre duas a três vezes mais propensas que os homens.
Os Ataques de Pânico são réplicas do primeiro evento traumático, em que a dor sentida foi tão grande que se começa a ter medo de a voltar a sentir.
Critérios de Diagnóstico:
Um período de tempo de medo ou desconforto intensos durante o qual quatro (ou mais) dos seguintes sintomas se desenvolveram abruptamente e atingiram um pico num espaço de 10 minutos:
- Palpitações cardíacas, batimentos cardíacos fortes ou coração acelerado
- Suores
- Tremores
- Dificuldade em respirar
- Sensação de sufoco
- Dor no peito ou desconforto nessa zona
- Náuseas ou perturbações gastro-intestinais
- Tonturas, sensação de estar zonzo ou instável, sensação de desmaio
- Desrealização (sensação de irrealidade) ou despersonalização (sensação de estar separado de si próprio)
- Medo de perder o controlo ou enlouquecer
- Medo de morrer
- Parestesias (sensação de formigueiro ou dormência)
- Arrepios ou calor súbito ou suores frios
Os ataques de pânico podem
acontecer em comorbilidade com outras doenças. São fatores de risco:
- Doenças
psiquiátricas como depressão, ansiedade social, perturbação da ansiedade
generalizada ou stresse pós-traumático;
- Doenças
crónicas como asma, doença coronária cardíaca ou hipertensão.
Tratamento
Normalmente, combina-se a psicoterapia com técnicas de relaxamento e de
respiração, com objectivo conhecer e compreender os conflitos
psicológicos subjacentes aos ataques de pânico. Nos casos mais graves, o
tratamento passa uso de fármacos.
Se tiver com uma pessoa que esta a ter um ataque de pânico evite frases como: "acalma-te" ou "não tens que ter medo". Diga antes: "Está tudo bem, é só um Ataque de Ansiedade que já vai passar", "as sensações são fortes mas não prejudicam o teu corpo".
Bibliografia: American Psychiatric Association. (2014). DSM-V: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (5.ª ed.). Lisboa: Climepsi.
Graziani, P. (2005). Ansiedade e perturbações da ansiedade. Lisboa: Climepsi Editores.
www.encontreumasaida.pt
Perturbação Obsessivo-Compulsiva
Esta perturbação caracteriza-se pela presença no indivíduo de obsessões, compulsões ou ambas. Tem início em regra na adolescência
ou no início da vida adulta, na maior parte dos casos surge antes dos 25 anos.
Cerca de um quarto dos casos começam pelos 14 anos. Geralmente nos homens surge mais cedo do que nas mulheres
As obsessões caracterizadas como pensamentos, impulsos ou representações recorrentes que são sentidos como intrusivos, inapropriados e que causam forte ansiedade e mal-estar. O sujeito esforça-se por ignorar ou neutralizar através de outros pensamentos ou ações. As obsessões, podem ser categorizadas, por (ordem decrescente de frequência): contaminação e sujidade; dúvida patológica; somáticas; ordem e simetria; agressão; sexo e religião.
As compulsões são comportamentos repetitivos (lavar as mãos, ordenar de objetos, verificações) ou atos mentais (rezar, contar, repetir palavras mentalmente), que o sujeito se sente impelido a realizar em resposta a uma obsessão ou segundo determinadas regras que têm de ser aplicadas de forma inflexível. Estes comportamentos ou atos mentais destinam-se a neutralizar ou diminuir a sensação de mal-estar ou a impedir um acontecimento ou uma situação temida. As compulsões mais frequentes, são: verificação (63%); lavagem (50%); contagem (36%); necessidade de perguntar/confessar (31%); simetria e precisão (28%); impulsos sexuais (26%); e, armazenar (18%).
As obsessões ou compulsões causam uma perda considerável de tempo (demoram mais de 1 hora por dia) ou interferem significativamente com as rotinas normais do indivíduo, funcionamento ocupacional (ou académico), relacionamentos ou atividades sociais.
Os indivíduos podem ficar deprimidos, desmoralizados, sentir ansiedade extrema, mal-estar e repugnância. Um outro tipo de comportamento que também pode fazer parte da doença é arrancar pelos das sobrancelhas ou cabelos (tricotilomania). Outra forma da doença é a preocupação excessiva com um defeito do corpo, que poderá ser mínimo, ou mesmo imaginado (dismorfofobia). Os sintomas podem ser a preocupação constante com ter uma doença grave (hipocondria).
Bibliografia: Macedo, A. & Pocinho F. (2007). Obsessões e Compulsões - as múltiplas faces de uma doença. 2ªedição. Coimbra: Quarteto.
American Psychiatric Association. (2014). DSM-V: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (5.ª ed.). Lisboa: Climepsi.
Graziani, P. (2005). Ansiedade e perturbações da ansiedade. Lisboa: Climepsi Editores.
A Perturbação Obsessivo-Compulsiva pode ser tratada recorrendo a uma equipa multidisciplinar constituída por um médico (terapia farmacológica) e um psicólogo (psicoterapia). A Psicoterapia tem como objetivo a redução dos sintomas como também a aprendizagem de estratégias para lidar com obsessões e premências compulsivas no futuro. Deste modo, permite ao doente aprender a controlar a ansiedade provocada pelas obsessões sem recorrer às compulsões.
Se sente que está preso neste tipo de pensamentos e comportamentos e quer retomar o controlo da sua vida é importante que procure ajuda.
Fobia Social
É importante fazer uma distinção entre a fobia social e a timidez que é um comportamento não patológico, (por exemplo não usar da palavra num grupo), enquanto a fobia social é fonte de um intenso mal-estar; é evasiva e altera as escolhas afetivas, escolares e/ou profissionais.
O DSM-V define a fobia social como um medo irracional, persistente e intenso de uma ou várias situações sociais ou de desempenho, nas quais o sujeito está em contacto com pessoas não familiares ou exposto a uma possível avaliação por outras pessoas. O sujeito teme agir de forma a demonstrar os sintomas de ansiedade, que serão avaliados negativamente. A ideia de ser confrontado com tais situações, provoca uma significativa ansiedade antecipatória pelo receio de agir de forma humilhante ou embaraçosa. O medo intenso das situações sociais, leva o sujeito a evitá-las para não se deparar com uma situação ansiogénica. O medo, a ansiedade ou o evitamento geralmente duram mais que seis meses.
A fobia social pode ser caracterizada segundo três componentes que são aquilo que as pessoas sentem, pensam e fazem, ou seja existem sintomas físicos, sintomas cognitivos (pensamentos) e sintomas comportamentais. Deste modo os sintomas físicos mais frequentes são: palpitações, falta de ar ou respiração rápida, tonturas, dificuldades em engolir ou garganta seca, tremer das mãos, palmas das mãos ou dos pés transpiradas, dificuldades de concentração, músculos tensos. Os pensamentos ansiosos mais comuns são: "vou fazer má figura", "eu não posso mostrar que estou com medo", "se cometer um erro as pessoas vão-se rir de mim", as pessoas acham-me desinteressante". Por fim os comportamentos relacionados com a fobia social são: recusar um convite para sair, inventar desculpas para não estar com desconhecidos, evitar contacto ocular ou falar baixo em frente aos outros.
As situações de desempenho (falar em público, comer e beber em frente a outras pessoas, apresentar-se a um grupo de pessoas) e as situações interpessoais (ir a uma entrevista de emprego, falar com
alguém que é percebido como mais autoritário, ou divertido, ou interessante, ou
que de alguma forma colha maior reconhecimento social, conversar com pessoas do sexo oposto
) causam grande ansiedade e são temidas pelo sujeito.
Os doentes tendem a evitar o tratamento com medo da avaliação negativa por parte dos profissionais. Há investigações que apontam para o fato dos sujeitos que mais necessitam de tratamento são os que menos a procuram, isso deve-se ao facto do sujeito poder ver a sua condição como intratável, como uma parte da sua personalidade
(Ruscio, Brown, Chiu, Sareen, Stein & Kessler, 2008). O tratamento e a duração da terapia psicológica depende de cada caso.
Bibliografia: American Psychiatric Association. (2014). DSM-V: Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (5.ª ed.). Lisboa: Climepsi.
Graziani, P. (2005). Ansiedade e perturbações da ansiedade. Lisboa: Climepsi Editores.
Pinto, G. (2000). Ansiedade Social: da timidez à fobia social. Coimbra: Quarteto Editora.
Adolescência
A adolescência é um período de transição, devido às alterações cognitivas, biológicas, e sociais que ocorrem durante este período de tempo.
O adolescente sente prazer em manifestar os seus gostos e as suas preferências de forma exagerada. É uma fase cheia de dúvidas e instabilidade, que se caracteriza por intensa procura de si mesmo e da sua identidade, os padrões estabelecidos são questionados, bem como criticadas as escolhas de vida feitas pelos pais, procurando assim a autoafirmação e a liberdade.
As mudanças
que ocorrem nesta fase provocam dúvidas incertezas inquietações e é necessário
tempo para assimilar essas mudanças. Algumas vezes o adolescente não reconhece
mais o seu corpo como seu, procura então comparar-se com outros e passa a
questionar a sua própria identidade. O desenvolvimento da identidade é complexo, uma vez que a formação da identidade não se
inicia, nem acaba com a adolescência, começa com o aparecimento da vinculação.
A identidade pode não permanecer estável pelo resto da vida, pois esta para ser
saudável deve ser flexível, adaptativa, e aberta às mudanças da sociedade.
Uma realização bem-sucedida da identidade conduz o indivíduo para a primeira tarefa da vida adulta: a intimidade. Para Erikson, a intimidade surge após a formação da identidade, ou seja, a identidade antecede a possibilidade de uma verdadeira intimidade com outra pessoa. Então é necessário adquirir a consciência do Eu para chegar à intimidade, que pode ser definida como: capacidade para estabelecer relações mútuas; tanto físicas como psicológicas, com outras pessoas, mesmo que elas imponham sacrifícios e compromissos significativos, surge num contexto multifacetado, e vai moldando a experiência de relacionamentos dos parceiros.
O grupo de
amigos é uma fonte de afetos, de solidariedade e de compreensão. É onde os adolescentes a procuram
autonomia a independência dos pais, é um local para formar relacionamentos
íntimos, serve de ensaio para a intimidade adulta. Contudo, no final da adolescência, o
jovem procura fazer opções dentro do grupo, escolhe as suas próprias ideias,
escolhe um parceiro sexual e, lentamente vai abandonando o grupo.
Em síntese: A adolescência é por um lado, um tempo de trabalho de luto das figuras parentais (luto da infância); por outro, uma época da assunção da identidade própria e da escolha do objeto de amor.
Bibliografia: Matos, C. (2011). Adolescencia. Lisboa: Climepsi;
Norman, A.; Sprinthal, W.; Collins, A. (2003). Psicologia da Adolescente. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian;
Pinto, M. (2009). Intimidade em Adolescentes de Diferentes Grupos Étnicos. Lisboa: ACIDI_IPJ;
Sprinthall, W.; Collins, A. (2008). Psicologia do adolescente, uma abordagem desenvolvimentalista. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
Stress
Sentir-se stressado é normal e nem sempre é mau. Pode surgir em situações felizes (como o início de um emprego novo ou ter um bebé) e/ou em situações menos positivas (como uma doença de um familiar).
Quando está stressado podem surgir reações físicas (como dores de cabeça, cansaço, dificuldades em dormir, fome ou falta de apetite), como também reações emocionais (sentir-se irritado, agressivo, deprimido, com receio de falhar e do futuro, perdendo o sentido de humor). Nestas situações é mais difícil tomar uma decisão e concentra-se.
As situações de stress podem ser duradoras (como o desemprego,
problemas nas relações próximas), como também podem ser passageiras (como o
trânsito, ou estar atrasado para um compromisso). Nas situações em que o stress é duradouro, este pode levar ao desenvolvimento de problemas de saúde psicológica.
O stress não é uma doença, no entanto pode contribuir para o desenvolvimento de problemas de saúde psicológica como a depressão ou a ansiedade. Nestes casos pode ser importante procurar alívio junto de um profissional, pois existem intervenções capazes de o ajudar a lidar com o stress.
Fonte: 1
Ansiedade
A ansiedade é um sentimento comum a todas as pessoas em situações entendidas como ameaçadoras ou stressantes (a ida ao médico, um exame, uma entrevista de emprego, o primeiro dia de escola ou de trabalho...). Nestes momentos é comum sentir-se preocupado, tenso, nervoso, com medo, podendo isto expressar-se através de sintomas físicos como mãos/pernas a tremer, suores, aceleramento do ritmo cardíaco, entre outros. Também o sono, o apetite e a concentração podem ser afetados por este tipo de ansiedade.
Contudo, a ansiedade tem tendência a desparecer quando o momento causador de ansiedade terminar, tendo um papel positivo e útil nos momentos adequados, para que possa estar alerta e dar o seu melhor.
Por
outro lado, se o nível de ansiedade se mantiver elevado por longos períodos de
tempo e se sentir sobrecarregado, verificar que o seu desempenho está a ficar
afetado, sentir que está a perder o controlo, que vai morrer ou enlouquecer,
poderá ser-lhe difícil lidar com a sua vida diária.
Este tipo de ansiedade pode
ainda interferir nas relações com os outros e na forma como pensa e se sente
diariamente. Pode também experienciar o pânico sem razão aparente, desenvolver
pensamentos que surgem de repente e que são incontroláveis bem como
comportamentos repetitivos para aliviar a ansiedade.
Nestes casos pode ser importante procurar alivio junto de um profissional, pois existem intervenções capazes de o ajudar a lidar e a gerir a ansiedade.
Fonte: 1
Perturbações do Sono
O sono preenche aproximadamente um terço das nossas vidas e é fundamental para a nossa recuperação física e psíquica e para o nosso bem-estar.
No entanto, por vezes confrontamo-nos com dificuldades em adormecer ou manter o sono durante a noite. Se estas dificuldades persistirem no tempo, podem dar origem às perturbações do sono. Estas perturbações caracterizam-se por queixas predominantes de insatisfação com a quantidade ou qualidade do sono.
As perturbações do sono causam sofrimento e prejudicam largamente áreas importantes da vida da pessoa, como a vida familiar, social, profissional, educacional, comportamental ou em outras áreas importantes da vida da pessoa. Estas dificuldades no sono resultam em falta de energia, sintomatologia depressiva, ansiedade, irritabilidade , fadiga, instabilidade emocional, pior funcionamento cognitivo, queixas somáticas, entre outras.
As consequências dos distúrbios do sono estão fortemente relacionadas à qualidade de vida das pessoas, por exemplo, o desemprego, é fator de qualidade de vida que pode afetar a qualidade do sono de uma pessoa pois a preocupação presente nessa situação aumenta a demora no adormecer, bem como, são mais frequentes os despertares. Por outro lado, uma pessoa com distúrbio do sono provavelmente sofrerá consequências no trabalho devido à má qualidade do sono.
O sofrimento clínico da pessoa que sofre de distúrbios do sono varia conforme as consequências vividas e a importância atribuída à área prejudicada. Nestes casos pode ser importante procurar alívio junto de um profissional especializado, pois existem intervenções capazes de o ajudar a lidar com a perturbação do sono para que possa encontrar alívio e restaurar o equilíbrio na sua vida.
Agressividade
Sentir-se zangado é uma resposta natural a situações em que se sente atacado insultado, enganado ou até frustrado. Pode, no entanto, nestas situações sentir a sua raiva como assustadora e que lhe é difícil lidar com ela de modo construtivo, sente-se "possuído" por algo que não controla. Em situações em que se sente zangado, o seu coração bate mais depressa, respira e reage mais rápido e nem sempre consegue pensar bem, fazendo com que por vezes, reage de uma maneira da qual se arrepende mais tarde (gritar, chamar nomes, bater em alguém, partir objetos).
Estar zangado não é um problema, a forma como lida com a zanga e raiva pode ser. A zanga torna-se um problema quando nos leva a magoar os outros ou a nós próprios; quando não expressamos a nossa raiva ou a expressamos de forma e em alturas desadequadas.
Se não consegue controlar e expressar a sua raiva e zanga de forma segura, isso pode ser um sinal da existência de um problema na sua saúde psicológica. Pode levar à depressão, ansiedade, dificuldades em dormir, adições, perturbações alimentares, comportamentos compulsivos ou doenças físicas.
Se sente que se zanga com facilidade e muito frequentemente, às vezes por "coisas pequenas", e que não é capaz de controlar a sua raiva, procure ajuda junto de um profissional especializado.
Fonte: 1
Sexualidade
A saúde sexual é um estado de saúde física, emocional, mental e bem-estar social em relação à sexualidade. Assim, não é apenas a ausência de doença, disfunção ou enfermidade. A sexualidade é um aspeto central do ser humano ao longo da sua vida, englobando dimensões como sexo, identidade e papéis de género, orientação sexual, erotismo, prazer, intimidade e reprodução.
A sexualidade é vivida e expressa em pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos e relacionamentos, sendo influenciada pela interação entre fatores biológicos, psicológicos, sociais, económicos, políticos, jurídicos, históricos, religiosos e espirituais.
Se experiencia dificuldades na sua saúde sexual, como insatisfação sexual (disfunção sexual), dúvidas na vivência da sexualidade nas diferentes etapas do ciclo de vida, experiências sexuais prévias que prejudicam a vivência de uma sexualidade atual gratificante, problemas na comunicação com o parceiro sobre sexualidade, pode procurar ajuda junto de um profissional especializado.
Autoestima
Todos nós temos uma opinião sobre nós próprios. É a forma como nos vemos a nós próprios que está na base da autoestima e que afeta a forma como nos sentimentos relativamente a nós próprios e como nos valorizamos. A autoestima não é estática nem fixa, as nossas crenças sobre nós próprios podem variar conforme a situação em que nos encontramos.
Quando temos uma boa autoestima conseguimos reconhecer os nossos pontos positivos, conseguimos com uma maior facilidade lidar com experiências negativas, como por exemplo, perder o emprego ou terminar uma relação. Sentimo-nos confiantes, não nos culpamos de tudo o que acontece, aceitamos errar e aprender com os erros, confiamos nos outros, cuidamos de nós próprios e conseguimos dizer 'não' quando é necessário. Mas ter uma boa autoestima não significa que somos confiantes em todas as situações.
Quando temos um baixa autoestima pensamos em nós próprios de forma negativa, apenas nos focamos nos nossos pontos fracos e nos erros que cometemos. Temos tendência a culpar-nos do que acontece, temos medo de correr riscos, deixamos os outros tomar decisões por nós. Não nos sentimos amados e podemos até achar que não merecemos que alguém goste de nós.
Assim, ter uma baixa autoestima pode interferir com a nossa vida do dia-a-dia, com a nossa capacidade de realizar o nosso potencial, podemos achar que não merecemos ser tratados com amor e respeito, evitamos atividades que nos possam expor ao julgamento dos outros, ou podemos achar que não somos suficientemente competentes e evitar tarefas ou cargos no nosso local de trabalho.
A baixa autoestima, por si só, não constitui um problema de saúde mental, mas pode afetar a nossa saúde mental, uma vez que diminui a nossa capacidade de lidar com as coisas menos boas da vida. Se sente que tem baixa autoestima e dificuldades em lidar com as coisas menos boas da sua vida procure ajuda junto de um profissional especializado.
Fonte: 1